Nota de resposta a matéria publicada no jornal FolhaSC de Jaraguá do Sul

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Ao tomar conhecimento de matéria publicada na Folha SC de Jaraguá do Sul, de 30 de abril e 1º de maio de 2016, não podemos deixar de nos manifestar a respeito da inverdade histórica e da apologia ao ódio contidas na nota.

O Coletivo Catarinense Memória, Verdade, Justiça, que há anos luta pelo estabelecimento da Verdade histórica e pelo reconhecimento público das arbitrariedades e crimes cometidos durante o período ditatorial brasileiro, repudia a manipulação da verdade para enaltecer crimes de lesa humanidade, incitando a prática da tortura e propagando o ódio na sociedade.

Ao contrário do que afirma a referida nota, o deputado em questão não “está anos à frente de qualquer outra pessoa…em nível de estudos sobre a verdade”.  Não só os depoimentos da Comissão Nacional da Verdade, mas diversos pesquisadores, jornalistas, religiosos, bem como sentenças judiciais, incluindo-se a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos comprovam as atrocidades nos 21 anos de ditadura.

Os próprios agentes da repressão assumiram os crimes, como podemos ver nas seguintes obras que desmentem o conteúdo da nota publicada, as quais recomendamos ao seu autor já que se interessa tanto pelo tema:

  1. AUTOPSIA DO MEDO – de Percival de Souza sobre a vida do delegado Fleury.
  2. SEM VESTIGIOS: REVELAÇÕES DE UM AGENTE SECRETO DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA – de Tais Morais, filha de um agente da repressão, com base nos escritos deixados pelos agentes da repressão.
  3. A CASA DA VOVÓ – de Marcelo Godoy – entrevistas de 26 militares. 4. MATA! – O MAJOR CURIÓ E AS GUERRILHAS NO ARAGUAIA – de Leonencio Nossa. Editora Companhia Das Letras.
  4. GUERRILHA DO ARAGUAIAMEMÓRIAS DE UMA GUERRA SUJA – depoimento de Claudio Guerra, agente da repressão.

A humanidade criou a História para, através do estudo dos fatos passados, aprender com os erros e construir um futuro melhor. Mas a História mal contada é um entrave para que recuperemos nossa capacidade de avançar, de amadurecer como nação.

Não podemos aceitar que uma sociedade que se quer democrática compactue com a manipulação da verdade.

Na construção da Memória e na luta por Verdade e Justiça daremos futuro para nosso passado.

Requeremos a FolhaSC que publique este documento para bem informar seus leitores.

04 de maio de 2016

COLETIVO CATARINENSE MEMÓRIA, VERDADE, JUSTIÇA

folha de SC

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