Marcas da Memória na Unisul/Tubarão e Palhoça

Mostra-de-Cinema Unisul

Quarta-feira, 08/04/2015

Marcas da história

RENATA DAL-BÓ

Segunda-feira geralmente é um dia chato e arrastado. Mas esta última se fez diferente e, certamente, vai ficar gravada na minha memória e na de muitos jovens que participaram da 1ª Mostra de Cinema Marcas da Memória, na Unisul. Na mostra tivemos o prazer de ouvir a palestra de João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart (Jango), sobre o golpe de Estado de 1º de abril 1964, que depôs o então presidente Jango e originou uma ditadura que durou longos e perversos 21 anos, e que cerceou valores fundamentais de nossa cidadania, como a liberdade e a democracia. Como sabemos, a luta pela reconquista da democracia custou a vida de milhares de brasileiros, muitos até hoje desaparecidos.
A professora Maria Lucia, representante do Coletivo Catarinense Memória, Verdade e Justiça, cita no início de sua fala o poeta Thiago de Mello: “Aos que não sabem convém contar; aos que sabem, convém lembrar”. A mostra é uma ótima oportunidade de recontar e relembrar essa parte obscura da história brasileira, para que nossos jovens tenham conhecimento do passado e consciência da importância que é a reconquista da democracia e, a partir daí, pensem e reflitam com mais discernimento sobre a escolha de nossos líderes atuais e futuros.   Admira-se que, ainda hoje, existem jovens que saem nas passeatas, um ato democrático, segurando cartazes clamando pela volta da ditadura militar, pedindo um retrocesso político. É vergonhoso! Não se muda a história futura de um país sem saber sobre sua história passada.
Assim como centenas de políticos e artistas, João Vicente vivenciou com sua família as dores de um exílio. Jango se refugiou primeiramente no Uruguai e, posteriormente, no Paraguai e Argentina. Num primeiro momento, Jango, junto com outros exilados, imaginava que a ditadura seria um período curto, mas à medida que ela foi se instalando e se fortificando, foi se dando conta de que o período seria bem mais longo e tenebroso do que imaginava. Jango dizia que o exílio era uma invenção do demônio, que transformava os exilados em mortos-vivos, pois não se podia falar, não se podia ter vida política, não se podia exercer a cidadania, vivia-se longe da família e amigos. Segundo João Vicente, apesar de ser muito doloroso, o exílio ensina a viver lutando em diversos países, aprende-se a viver como aves migratórias.
À certa altura do exílio, Jango, já sem esperanças de voltar para o Brasil, dizia para sua esposa, Maria Tereza, que achava que ela voltaria viúva e com um neto para o Brasil. Sua profecia se concretizou. Jango morreu, oficialmente, vítima de um ataque cardíaco (embora haja suspeitas de que tenha sido assassinado), no município argentino de Mercedes, Corrientes, em 6 de dezembro de 1976, sem nunca mais ter pisado em solo brasileiro.

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