Frederico Eduardo Mayr

Frederico Eduardo Mayr nasceu aos 29 de outubro de 1948, em Timbó, município do norte catarinense.

Filho de Gertrudes e Carlos Henrique Mayr, médico. Dr. Mayr, transferiu-se para o Rio de Janeiro estabelecendo-se com sucesso na Zona Sul.

Frederico Eduardo foi um garoto alegre, generoso, de grande sensibilidade, atento às necessidades dos outros. Fazia pesca submarina, era escoteiro, gostava da vida ao ar livre, era namorador e queria ser arquiteto.

Sua mãe educou-o com valores recebidos na área de colonização européia, do interior catarinense, onde todos são iguais, e não têm medo nem vergonha do trabalho.

Cursava o segundo ano da faculdade de Arquitetura, da UFRJ e se dedicava às Artes Plásticas, quando foi forçado a sair de casa e embrenhar-se na clandestinidade, procurado pela repressão, por sua participação no movimento estudantil.

Foi morar em São Paulo, integrando-se ao MOLIPO; Movimento de Libertação Popular, que unia dezenas de jovens brasileiros, idealistas, com o objetivo de derrubar o regime militar que se apropriara do poder de forma ilegítima.

No dia 23 de fevereiro de 1972, andava na Avenida Paulista, coração de São Paulo, quando foi baleado e preso pelo DOI CODI, que trabalhava em conjunto com o II Exército. Baleado, sangrando, não recebeu cuidados médicos e mesmo assim foi torturado durante quase três dias, quando morreu, em 25 de fevereiro de 1972.

A Comissão de Familiares dos Mortos e desaparecidos políticos, encontrou sua ficha individual no arquivo do DOPS de São Paulo, onde consta uma foto de frente e outra de perfil, já estando morto. Consta ainda a data exata de sua prisão e de seu assassinato.

A equipe que o matou era chefiada pelo hoje general Carlos Alberto Brilhante Ulstra e pelo Tenente Coronel Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo. Seus torturadores foram: Aderval Monteiro, vulgo “carioca”, Lourival Gaeta, vulgo “Mangabeira”, e os policiais “Oberdan e Caio.

Seu corpo foi enterrado como indigente no Cemitério de Perus e o delegado Romeu Tuma, anexou seu atestado de óbito, no processo que deveria responder na Auditoria Militar.

É conveniente registrar que Frederico Eduardo estava desarmado na hora da prisão e não lhe foi dada qualquer chance de defesa, dentro da política usada na época de atirar primeiro e perguntar depois.

Sua mãe, Gertrudes Mayr é uma incansável batalhadora, na luta pelo esclarecimento dos fatos acontecidos durante a ditadura militar. Participa ativamente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de janeiro e é membro efetivo do Comitê Catarinense Pró Memória dos Mortos e Desaparecidos Políticos. Seu irmão, Carlos Henrique Mayr é médico, professor da Faculdade de Medicina da UNESC, com clínica em Içara, Criciúma e Rio de Janeiro.

Frederico Eduardo era do mesmo grupo e morreu no mesmo mês, que Arno Preis. Suas telas adornam as paredes das residências dos familiares e amigos.

Seu nome é lembrado em ruas do Rio de Janeiro e Criciúma.

Seu caso, sua morte e identificação estão relatados no filme documentário, VALA COMUM, de João Godoy. Para assistir ao filme, clique nos links a seguir:
Filme Vala Comum- Parte 1    e

Filme vala Comum – Parte 2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma resposta para Frederico Eduardo Mayr

  1. Mauricio Eduardo Mayr disse:

    Que meu primo descanse em paz em companhia dos justos.

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