Rui Osvaldo Aguiar Pfutzenreuter

Rui Osvaldo nasceu aos 03 de novembro de 1942, em Orleans, filho de conceituada família na cidade, onde seu pai, Osvaldo, era Exator Federal.
Estudou no Colégio de São Ludger e no Colégio Dehon, em Tubarão.
Foi para Porto Alegre onde se graduou em Jornalismo e Sociologia, na URGS. Possuía um nível cultural elevado, um vocabulário raro, capaz de usar verbos e pronomes como um erudito.
Lia e escrevia com grande facilidade. Era considerado um intelectual. Jornalista capaz poderia ter trabalhado em qualquer jornal da grande imprensa.
Mas naqueles tempos, como jovem consciente, tomou outro caminho.
Mudou-se para São Paulo a fim de organizar o PORT – Partido Operário, do qual foi um dos dirigentes.
Rui desenvolvia intensa atividade teórica, escrevia jornais clandestinos, organizava grupos de estudos e debates, palestras sobre a situação nacional e os caminhos para a revolução brasileira.
Era um contestador e odiava a ditadura na mesma medida em que lutava com a palavra, contra ela. Fiel a tarefa que abraçara, trabalhou seis anos na mesma  empresa, com o objetivo de manter-se economicamente em São Paulo e seguir escrevendo para os jornais que eram distribuídos clandestinamente.
Nenhum assassinato se justifica, mas o de Rui é, sem dúvida, fora de qualquer lógica. Era um teórico e sonhava encontrar-se com os marcianos.
Foi assassinado sob tortura, no dia 15 de abril de 1972, e como Tiradentes foi esquartejado e depois enterrado num saco plástico. O atestado de óbito, assinado pelo Dr ISAAC ABRAMOVICHT; médico que assinou praticamente quase todos os laudos dos mortos sob tortura; acusa anemia aguda traumática. Este médico foi investigado pelo Conselho de Medicina de São Paulo.
Não sabemos como a repressão chegou a Rui, que vivia com seu nome verdadeiro e não executava nenhuma tarefa prática.
Alertado sobre a prisão do filho, por telefonema anônimo,o pai, Osvaldo, imediatamente foi para São Paulo. A luta do senhor Osvaldo, para saber do paradeiro do filho foi uma epopéia que pretendemos relatar em separado.
Rui foi enterrado, como tantos outros, no cemitério de Perús. Seu pai conseguiu o traslado para sua terra natal, com a exigência de que o caixão não fosse aberto.
Rui está enterrado no Cemitério Municipal de Orleans, onde é permanentemente lembrado nas escolas e publicações do município.
Para todos nós, a última página de seu diário…
“… E SEI DOS RISCOS E DOS PERIGOS, MASSEI TAMBÉM, QUE EMBORA ME ELIMINEM FISICAMENTE, JAMAIS PODERÃO VARRER A MINHA CONTRIBUIÇÃO E DERRUBAR TODA A VALIOSA HERANÇA QUE DEIXO A HUMANIDADE…”
Seu nome batiza uma rua de Criciúma e seu nome está gravado na Praça da Resistência.

 

 

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